• Augusto Magalhães

Cai o pano, sobe a luz: morre Roberto Cartaxo

Atualizado: 5 de Out de 2019


Roberto Cartaxo levou multidões para ver a Paixão de Cristo em frente ao Teatro Santa Roza e o Auto de Natal na Praça da Independência

Cai o pano, sobe a luz: morreu Roberto Cartaxo. Que notícia triste, embora esperada devido ao seu estado de saúde, recebemos na noite desta quarta-feira (2) em João Pessoa. De queixo caído, ainda sem acreditar no inevitável, a classe artística paraibana chora e lamenta a partida dele que foi um dos diretores mais conhecidos dessa geração.


Roberto estava internado há 20 dias na UTI após complicações causadas pelo diabetes e sofreu uma parada cardiorespiratória às 18h00 de ontem, 02 de outubro de 2019. O corpo está sendo velado no palco do Teatro Santa Roza até às 15h00 de hoje (3), onde o diretor recebe homenagens de artistas, amigos e parentes.


Teatro Santa Roza que já foi palco de tanta vida, que pulsou nos gritos, nas risadas e nas cenas dirigidas por Roberto Cartaxo. Um teatro que agora é palco para uma cena triste, infelizmente da vida real. Por um momento a gente quer imaginar que aquele caixão no centro do palco é apenas um cenário para emoldurar mais uma magia da caixa cênica, mas a realizdade diz "não" e deixa a ficção para trás em um duro golpe para as artes paraibanas.


Com Roberto Cartaxo exerci as duas profissões que amo: o teatro e o jornalismo. No teatro fui dirigido no espetáculo "Tabu" em 1990 no encerramento do curso de teatro da Funesc (Fundação Espaço Cultural da Paraíb) e durante vários anos fui 'apóstolo' no "Auto de Deus" a Paixão de Cristo das multidões nos palcos montados em frente ao Teatro Santa Roza. "Auto de Deus" que teve direções compartilhadas de Roberto com Everaldo Vasconcelos primeiro, depois com Paulo Vieira e ainda com Kaline Brito, para fazer um registro justo dos fatos. (Me desculpem se pecar pelo esquecimento!).


Entrevista publicada na Revista "A Semana", edição de 15 a 22 de março de 2002

No jornalismo foram várias reportagens (farei a reprodução da capa de uma delas feita para a revista "A Semana" há 17 anos). Matérias, inclusive, que Roberto em sua simplicidade fazia questão de agradecer quando me encontrava: "Guto, gostei da matéria. Obrigado!". Também entrevistei Roberto Cartaxo para o capítulo do meu livro "História do Teatro na Paraíba" (Ed. idéia, João Pessoa, 2005).


São lembranças que chegam em flashes sobre esse diretor que nos fez chegar à cena e conhecer tantos amigos nas artes. Sua Paixão de Cristo era momento de reencontros e festa entre atores de vários grupos que esperavam os ensaios logo após o carnaval de cada ano para essa grande congratulação até a Semana Santa.


Certamente vou esquecer muitas pessoas, mas citarei alguns amigos atores e atrizes com quem convivi a partir das Paixões de Cristo de Roberto Cartaxo: João Dantas, Ingrid Trigueiro, Zezita Matos, Cida Costa, Maurício Soares, Mônica Macedo, Horieby Ribeiro, Priscila Cardoso, Eulina Barbosa, Marcos Marcos Vinícius, Kaline Brito, Everaldo Vasconcelos, Paulo Vieira, Edilson Alves, Edilson Dias, Gilson Azevedo (in memoriam), Jacinto Moreno, Joth Cavalcanti, ThardelyLima, Edmilson Cantalice, Osvaldo Travassos, Neto Ribeiro, Isaú Firmino, Suzy Lopes, Marcos Pinto (in memoriam), Iana Marinho, Mayana Neiva, Fernando Teixeira, Soia Lira, Everaldo Pontes, Nanego Lira, Servilio de Holanda e tantas outras pessoas queridas.


São tantas lembranças e uma única certeza: Roberto Cartaxo fez história no teatro paraibano. Do litoral ao sertão, literalmente (saiu de Cajazeiras para João Pessoa). Veio com a energia do sertão e fez eclodir a beleza do seu trabalho no litoral. Conquistou a Paraíba com sua dedicação ao teatro. Que siga em paz!



Cena da multiplicação dos pães, em que fui dirigido por Roberto Cartaxo: apóstolo no "Auto de Deus"



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